(...)
- É um absurdo tal desespero, existe uma encenação absolutamente ridícula, aqui neste recinto.
- Ator, eu? Choro em prantos, enrolando panos e mais panos aos meus olhos. Estou quase a me afogar em minhas próprias lágrimas, e ainda me diz que estou a fazer teatro.
- Ah! Poupe-me de suas ladainhas, traíra. Digo-lhe mais ainda, seus soluços soam mentiras mal pagas. Estes olhos vermelhos que diz ser de tanto chorar são fraudes, e nem fraudes você não soube encobrir.
- Não tenho mais nada á fazer, não irei mais tentar te provar a verdade. Sinto que a verdade só a mim pertence, por mais que não exista nenhuma a esconder-lhe.
- Provar a verdade? Não existe verdade no que você diz. Nunca existiu. Além de vivermos como ratos, nos encontrarmos á escondidas, você mente pra mim.
- Você tem razão meu amor, em o que eu digo talvez não exista verdade porque não existem mentiras. Mas irei te mostrar a mais pura verdade que tento te dizer...
O homem que estava em prantos, chorando e desesperado, “procurava por saída e só encontrava mais portas fechadas”. Ele se levanta da cadeira, beija os lábios do homem que conversava, pega a arma que estava entre as roupas guardadas na gaveta de seu guarda-roupa, puxa o gatilho e atira na própria cabeça.
O homem que retrucava e questionava o companheiro, estava de pé, assistiu àquela cena memorável, ele estava quieto e pálido, pegou a arma da mão do homem caído, deixou uma lágrima cair sobre ela e fez o mesmo ato do companheiro.
Eles amavam-se e não podiam mais estar ali escondidos.
Queriam amar, e se foram sem a certeza de que estariam juntos depois de uma suposta morte.