terça-feira, 29 de maio de 2012

Fetichismo


Fetiche?
Você.
Você completamente pelado.
Numa maca, sangrando e com o intestino inteiramente exposto.
Você tentando segurar as tripas, que escorregam por entre os dedos.
Agonizando de dor, tremendo de frio, sentindo o cheiro do seu sangue coagulado.

Você.
Você completamente encharcado de sangue e de ódio.
Numa esperança de sobreviver pra tentar colocar seu plano de vingança em pratica.
Você olhando em meu rosto, babando de tanta raiva.
E enquanto isso eu molho toda a minha cueca de tanto prazer que isso irá me dar.

Você.
Você me enfiou na desgraça
E te desculpo em troca de meus fetiches.

E você?
Quais são os seus?

Alvares Relomut 

domingo, 27 de maio de 2012

Super #2

Ouvi dizer que estar sozinho é “sutileza” doada pela vida.
Encontrar-se só não deve ser tão amargo assim.

Existem as fortalezas que super-heróis se apóiam,
Apoio vindo da solidão, tentando se sustentar de ilusão.

Eu não sou um super-herói, e preciso de fortalezas que não se alimentem de tantas contradições.
Eu não sou um super-herói e considero isto uma sutileza.

Coitados dos super-heróis
Coitado.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Gaiola Dourada


Sr. Destino, que tal me fazer um favor?
Encaixe-me em alguns buracos vazios e ficarei feliz
Tudo ficará um pouco mais compreensível depois de alguns favores.

Há muito tempo que não recebo aquelas surpresas
Minhas desconfianças estão ficando velhas
Os presentes estão todos quebrados
E ainda guardo um pedacinho do bolo.

Sr. Destino, que tal me fazer um favor?
Deixe-me só em algum buraco
Deixe-me brincando com as facas e as cordas que achei
Tudo ficará mais compreensível depois de alguns favores.

Há muito tempo que não recebo aqueles abraços
Minhas lágrimas estão ficando velhas
As mãos estão todas quebradas
E ainda guardo um pedacinho do amor.

Abro as janelas e as luzes me ofuscam
Abro a porta e ela cai em cima de mim
Tentarei, então, me acostumar a morar dentro dessa gaiola dourada
Que o senhor comprou para mim.


Uma Caixa Fechada

(...)
- É um absurdo tal desespero, existe uma encenação absolutamente ridícula, aqui neste recinto.

- Ator, eu? Choro em prantos, enrolando panos e mais panos aos meus olhos. Estou quase a me afogar em minhas próprias lágrimas, e ainda me diz que estou a fazer teatro.

- Ah! Poupe-me de suas ladainhas, traíra. Digo-lhe mais ainda, seus soluços soam mentiras mal pagas. Estes olhos vermelhos que diz ser de tanto chorar são fraudes, e nem fraudes você não soube encobrir.

- Não tenho mais nada á fazer, não irei mais tentar te provar a verdade. Sinto que a verdade só a mim pertence, por mais que não exista nenhuma a esconder-lhe.

- Provar a verdade? Não existe verdade no que você diz. Nunca existiu. Além de vivermos como ratos, nos encontrarmos á escondidas, você mente pra mim.

- Você tem razão meu amor, em o que eu digo talvez não exista verdade porque não existem mentiras. Mas irei te mostrar a mais pura verdade que tento te dizer...



O homem que estava em prantos, chorando e desesperado, “procurava por saída e só encontrava mais portas fechadas”.  Ele se levanta da cadeira, beija os lábios do homem que conversava, pega a arma que estava entre as roupas guardadas na gaveta de seu guarda-roupa, puxa o gatilho e atira na própria cabeça.

O homem que retrucava e questionava o companheiro, estava de pé, assistiu àquela cena memorável, ele estava quieto e pálido, pegou a arma da mão do homem caído, deixou uma lágrima cair sobre ela e fez o mesmo ato do companheiro.

Eles amavam-se e não podiam mais estar ali escondidos.
Queriam amar, e se foram sem a certeza de que estariam juntos depois de uma suposta morte.


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