domingo, 30 de dezembro de 2012

Invisível


Então deverei lembrar:
Dos passos ligeiros
Das mãos suadas
Das pernas tremendo
Do coração doendo
Dos olhos ardendo
Pensamentos fugindo pelos buracos alheios.

Uma noite, um minuto, um olhar
Cocaína, vinho, cigarro, desespero para amar
Deveremos lembrar desse olhar, e saber degustar cada pedaço do espelho que quebrei.

Eu sinto muito, mas o mundo acabou e ninguém percebeu.
Sinto muito, mas ninguém percebeu.
Ninguém percebe.

Alvares Relomut

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O nome de um deus gravado no coração de uma criança


Ouço uma musica de ninar ao longe
Bem ao longe.
Eu estou parado e ouvindo.

Vem destruindo meus ouvidos há anos
Dando dores insuportáveis de cabeça
Me transformando em cadáver sem sentido.

Quase. Quase perto disso acabar.
Dessa musica acabar
As dores se vão.

Me perguntaram onde fica meu deus
Respondi que o quebrei noite passada
Pois joguei meu espelho fora sem pudor algum.

As estrelas gritam desesperadas pedindo socorro
Sinto o sangue delas pingando em minha mascara
Desejo sorte, se existir alguma.

A musica ainda toca
A lágrima não escorre
O sangue não seca
As dores ainda não foram
E o seu nome já foi gravado em meu coração, meu amor.

Eu só peço que amarrem o meu pescoço e empurrem a cadeira
Não posso tê-lo, nem toca-lo, beijá-lo muito menos.
  
Tenho um deus que se masturba todas as noites
Tenho um espelho quebrado agora
Tenho o nome de um deus gravado no coração de uma criança.

Alvares Relomut

The Dead Crow - Imagens

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

B.



É confortante entrar nesse mar verde
E saber que você é meu por milésimos momentos.

Em seus olhos verdes faço questão de me perder e me afogar.
Viagem psicodélica de prazer.

Em seus olhos verdes imagino ter felicidade exagerada
A ponto de me adoecer sem temer o pior.

Tem sorriso tímido e assustado
Sorriso rosado das tolices que pairam ao seu redor.

Sem comparações.
Sem discrições.

Parece mostrar uma inocência nova,
Pobre de quem o subestime.

Em seus olhos verdes viveria para sempre sem medo de aparecer
Que lindo par de olhos!
Você tem domínio absoluto sobre eles, e tem domínio absoluto sobre os meus também.

Não quero muito, apenas o bastante para ser uma recordação eterna.
Olhos verdes olhem para mim alguns milésimos amais,
Sei que há um grande homem por detrás deles.

Sua pele branca me parece ser pêssego maduro
E me torno a partir disso um grande admirador de pêssegos.

Quero os olhos verdes e quero o homem que os tem.

Irei me contentar
Ao tentar
Contentar-te, meu pequeno grande homem.


Alvares Relomut

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Queda


Sobe em minhas asas e segure-se
Vamos planar para baixo agora
Vou perder o controle então
Salve-me.
Estamos caindo e não vejo um chão.

Vou perder esse caos lindo
Vou perder o controle
Vou perder as asas
Vou perder o vôo
Vou perder.

“But here comes the falls ...”



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