quarta-feira, 5 de junho de 2013

Paciência



Espere e me veja acenando pro teu mundo
 quase que em um gesto obsceno e imundo.

Espere e me deixe lá no canto
quieto quase inquieto num desespero certo.

Sente do meu lado e espere, quero que espere
Peço que espere, imploro paciência e espere.

Me deixe lá naquele canto quieto
Enquanto fico inquieto
Imaginando o teu mundo aberto
Entrelaçado em gestos obscenos
Te admirando.

Espere e me veja acenando dando adeus.

Alvares Relomut

Prólogo


De repente, me dei conta e vi o buraco em que tinha caído.
Me surpreendi ao calcular meu tempo de vida dentro dele,
Surpreso em estar vivo, pois o buraco continua escuro e profundo, sem fim, eterno desespero,
um eterno “espero por alguém.”
Espero por alguém ?
Por alguém.

“ Um pescoço e uma corda
Um braço e uma lâmina
Uma cabeça e um tiro
Uma boca, vários comprimidos
Um ser humano e seu coração.”

O buraco continua aberto.

Alvares Relomut

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