domingo, 26 de agosto de 2012

Sagrado coração


Misericordia pai
tens misericordia
Sou filho teu, não sou filho único
Perdoa-me pai, tens misericordia
Pois sou carne de sua criação
Sou sangue de suas veias
 Sou ossos brancos assim como os teus.

Misericordia pai
E não chama-te minha mãe pelo o vosso nome
Você não é digno de pronunciar tal palavra com tanto poder.
Deixe-a, meu pai, jogue-a em qualquer lugar sem machucá-la
Pois eu, o filho rebelde, imperfeito e deformado
Irei resgatá-la de seus braços e a colocarei em sua devida crucificação.

Misericordia pai
O meu pedido é mais que um desesjo doentio
Será o destino sendo feito
Será a ordem natural sendo seguida com lealdade.
Esse tal pai misericordioso
Que nunca soube o que isso seria
Tem que morrer
Ser colocado em sua devida crucificação.

Misericordia pai?
Eu sou o pai
Eu sou a mãe
E sou o filho
Eu sou a carne
Eu sou o sangue
Eu sou os ossos
Eu sou a tua misericordia,
E por favor reze quando eu chegar até você
Pois a única historia que sobreviverá
Serás apenas essa.

Esquecido
Nada aquecido
Paterno e sagrado
Sagrado coração morre.


Alvares Relomut

http://ocorvovermelho.tumblr.com/

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Assoprador


O sopro da vida passa por mim, diz algo em meus ouvidos
E se vai com destino incerto.

Sopro da morte que tanto te espero
Passe por mim e sussurre algo aos meus olhos
 E me arraste com você ao teu destino incorreto.

Quantos sopros, quantos sopros...

Uns assopram faltando o ar
Outros assopram pra voar
Alguns nem assopram mais.

Perderam-se pulmões
Queimaram-se bocas
Mas esqueceram de tentar assoprar com o coração.

Querido assoprador assopre ao meu peito
E todos entenderão.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Coma


Sonhe com o vestido vermelho que te darei
E não durma
Não durma.

Abra os olhos garota, respire mais uma vez
Não durma
Não é um crime.

Brilho estelar
Dos olhos negros
Chama devastadora
Dos desejos que lhe consomem.

Se entregue
Minha querida, não é um crime
Nunca foi.

O seu único crime serei eu
Em certos tempos terá que me matar, e me trazer de volta
Pois assim está escrito, como essas palavras um dia serão nossas velhices
Como nossas mãos serão as armas
Como eu serei seu assassino
Como você será minha assassina.

Mas tudo isso pode soar a mais pura blasfêmia.

Alvares Relomut 

Traga-me


Trago novidades.
Trago no cigarro.
Trago nos braços.
Trago memorias.
Te trago um beijo.
E com intenso desejo
Me trouxeram a morte.

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